• Notícias de Viamão

    O noticiário da segunda-feira traz dois fatos que bem ilustram a permanente luta pela civilização, em que ora se avança, ora se retrocedem alguns passos. Primeira notícia. De vez em quando ouvimos que isso acontece em outros lugares do Brasil, e ainda recentemente alcançou repercussão nacional, pelo espancamento e morte, amarrado a um poste, de…

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  • Liberdade

    O Jornal do Almoço de sábado trouxe uma matéria sobre a Banda Liberdade, integrada por adolescentes infratores de Passo Fundo, numa iniciativa do juiz Dalmir Franklin Oliveira Júnior e do professor Marcelo Pimentel (certamente há outros participantes, mas foi destes que a matéria falou). Não conheço de perto a iniciativa, não sei de seus resultados,…

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  • Bússolas

    Será que, se o polo magnético da Terra se deslocasse, mudaria seu eixo de rotação? Será que mudariam os pontos cardeais? O norte continuaria norte? Pois tenho pensado que na política o polo mudou de lugar há muito tempo e a bússola informa outras direções. Lembro disso agora porque insistentemente a imprensa diz que o…

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  • Ingenuidade

    Se ontem me confessei conservador, hoje confesso que sempre fui ingênuo. Sou desses que acreditam (ou, já que o tempo deve servir para alguma coisa, talvez deva usar o verbo no pretérito) em promessas e em ajustes. Às vezes quebro(ei) a cara, por ter feito negócio baseado só no acerto verbal e já quebrei muito…

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  • A doutrina do escracho

    Confesso, estou ficando velho. Claro, dirás, falta pouco para pegares ônibus de graça e pagares meia no cinema. Mas não é disso que falo. Talvez esse processo de comemorar aniversários demais tenha me trazido uma certa dose de mau humor, ou mesmo me tornado conservador, como sói acontecer a quem envelhece. Ou, o que é…

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  • O gesto

    Os nacionalismos são produto da formação do Estado Nacional e sempre foram úteis como pretexto para encobrir realidades que não podiam ser reveladas. A guerra moderna raras vezes deixou de ser justificada pelo argumento da nacionalidade: se é verdade que a primeira vítima da guerra é a verdade, a mais comum das mentiras que a…

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  • Quem faz a pauta?

    No último final de semana voltou à pauta o tema do impeachment. Não parece nada sério; ao menos aos meus olhos caiu como um factoide criado para acossar ainda mais um governo já combalido, que não consegue ter iniciativa para sair do isolamento em que se meteu. Mesmo assim, teve força para mobilizar grande número…

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  • O bispo

    Doutor, o bispo quer lhe ver. Não incomoda, Sandra. Mas é verdade, doutor, é o bispo. Era verdade: o bispo de Santa Maria estava em Cacequi, em viagem pastoral, e queria visitar o juiz. Confirmada a notícia, tive o sentimento de que seria bem mais do que uma visita protocolar, porque teria a oportunidade de…

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  • Concordo e discordo

    Tomei um tempo e fui olhar os comentários ao texto do último domingo, no qual critiquei meu amigo que compartilhou a foto da criança negra famélica. Quando se entra numa polêmica, sempre haverá os prós e o contras, os que concordam e os que discordam, e nesse caso não seria diferente. Aliás, a tendência era…

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  • Foi bom pra ti?

    Querem saber? Eu preferia ter escolhido outro momento para botar no meu perfil as cores do arco-íris. De fato, não me agrada comemorar desse modo uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, nem me agrada fazê-lo com a colaboração imprescindível do Facebook. De fato, houve outros momentos que, para nós, brasileiros, eram mais adequados…

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  • Sim, acho que és

    Sim, acho que és

    Querido amigo: Li ontem a mensagem que compartilhaste e pensei muito nela. Fui dormir pensando e acordei achando que tinha de responder. Na verdade, queria responder para a moça que a escreveu, mas não a conheço e não teria intimidade para lhe dizer as coisas que posso dizer pra ti. A mensagem foi compartilhada por…

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  • Charada ética futurista

    Imagine-se o leitor em algum lugar do futuro. Não semana que vem, não ano que vem, mas em tempo suficientemente próximo para que sirva de testemunha – se preferir, protagonista, provavelmente vítima – dos fatos que serão relatados. O grande, inesperado e trágico evento surpreende o mundo. Não que devesse surpreendê-lo, porque nesse tempo que…

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  • O amigo do pai

    Os pais de Luísa e Lucas se separaram: a mãe ficou morando com os filhos; o pai saiu de casa e foi morar com um amigo. Faz seis meses que Luísa e Lucas vão à casa do pai nos finais de semana. Lá é muito divertido: o amigo é engraçado e os quatro fazem muitas…

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  • A falta que faz um intelectual conservador

    Mas esse cara é meio comunista, foi o comentário de um leitor fortuito, quando leu Nós, classe média, e o outro. Outro leitor comentou, num compartilhamento de O ódio é de direita: dependendo do lado em que estamos é paixão e o outro lado é ódio? O certo é que existem lados. E é bom…

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  • Números

    A rebelião do criador contra a criatura (ou contra a máquina que a controla): resolvi não me conformar com a lista de postagens mais lidas, que há tempo descobri ser fajuta. Aliás, quem aportar por este blog e olhar a lista, concluirá que estou em franca decadência, porque os textos mais lidos são de março,…

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  • Essa droga de ironia

    Ironia é bom. Mas pode ser ruim. Quer dizer: oferece riscos. Você já imaginou um mundo sem ironia, que chato? Pois, embora algumas pessoas me achem sisudo, eu gosto de usar. Claro, nem sempre, há momentos em que não dá, a seriedade do assunto se impõe.

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  • Contra a legalização

    Há gente por aí que parece viver em outro mundo. Ignorando totalmente os males do tráfico e sem se preocupar com os prejuízos causados pelo consumo, pretende torná-lo legal. Essas pessoas parecem não se preocupar com o fato de que por sua causa quase 50 mil pessoas morrem por ano no Brasil e um número…

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  • Fronteiras

    Quem defende os palestinos é antissemita? As duas coisas se confundem? Onde começa uma, onde termina a outra? O antissemitismo vem de muito longe, mas se acirrou no final do século XIX. Para isso, somou-se um conjunto de fatores, entre os quais o antiquíssimo preconceito religioso, que acusava os

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  • Sou mais O Boticário

    Menina, quanto tempo? Nossa, dez anos já, né! Gente, você tá igualzinha, né, quer dizer tá mais magra, gente e esse cabelo maravilhoso, o que você faz pra ficar assim? Não deu tempo de pensar que era propaganda de um novo e revolucionário creme ou de um suplemento vitamínico, porque a resposta foi imediata: sei…

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  • Nós, classe média, e o outro

    Somos todos classe média. Eu que escrevo, tu que me lês, somos classe média. Também é classe média quem pede o impeachment usando a camiseta da Seleção Brasileira (credo!) e quem acha que todas as investigações sobre corrupção são armação. Coxinhas e petralhas são quase todos classe média. Como nós, classe média, vemos o outro?…

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  • O encontro entre o gigolô das palavras e P., 39 anos, louca para dar

    Tenho tentado imaginar como seria o encontro entre o gigolô das palavras e P., 39 anos, louca para dar. Dar para quem sabe usar corretamente a crase. O gigolô reconhece que sempre foi péssimo em Português, vive às custas das palavras como um cáften profissional e se compraz em maltratá-las, delas exigindo submissão. Sobreviverá ao…

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  • Somalis e haitianos

    Não é preciso ser marxista para compreender como a consciência das pessoas é influenciada (para não dizer determinada) pela economia. Isso pode ser percebido em diferentes planos, desde o individual até diferentes graus de coletividade, com sentimentos que podem ser de egoísmo e inveja ou solidariedade e cooperação.

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  • Plutocratizando

    Um dos grandes problemas das democracias contemporâneas é estarem cada vez mais submetidas ao controle do poder econômico. O fenômeno há muito tempo transformou o parlamento dos Estados Unidos em um lugar oferecido unicamente aos ricos e caminho semelhante se desenha em outros lugares, entre eles o Brasil.

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  • Nunca reverenciar

    Giulio Cesare Croce foi um escritor italiano do Século XVI, e o conheci num tempo que já vai remoto, quando a vontade de ler me fazia catar qualquer coisa que então pudesse achar em Bom Princípio. Quer dizer: não conheci Croce – a ele cheguei muito tempo depois, quando tentava resgatar esta história –, conheci…

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  • O ódio é de direita

    Eu odeio a burguesia. Ouvi isso mais ou menos na época em que o Cazuza cantava enquanto houver burguesia não haverá poesia, mas fiquei chocado igual e nunca esqueci, afinal vinha de um cara gentil, amigo de todos e incapaz de fazer mal a uma mosca.

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  • Quase sérios

    “Mas isso que tu disse é muito sério.” Foi a recriminação que ouvi quando, ao escrever Matemática aplicada, classifiquei o texto como quase sério. Bem, preciso me explicar. Quando pensei em fazer um blog, e me deparando com a possibilidade de classificar as postagens, quis fugir do fatídico cultura, economia, política, direito, etc. Pensei que…

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  • Colorindo

    Fazer um blog é mudar um pouco cada dia e, para um semianalfabeto digital, um constante quebrar de cabeça. Descobri que coisas que funcionam num computador não funcionam em outro e, quando funcionam nos dois, não funcionam no celular. Além disso, a foto que sai no Chrome não sai no Explorer e sai em outro…

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  • O Senado, quem diria?

    Desde sempre, o que significa desde que comecei a pensar política, tenho uma clara rejeição à existência do bicameralismo. Tão antiga é a ideia, já transformada numa espécie de patrimônio ideológico consolidado, que quase não lembro mais a razão de pensar assim; o certo é que penso. Tentando recordar os motivos, chego à minha convicção democrática…

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  • A historinha recontada

    Era uma ação de guarda, com vários estudos sociais, com informações do serviço assistencial do Município, e sem muita perspectiva. A avó materna tinha consigo as três netas, porque os pais estavam presos, mas toda a boa vontade dela era insuficiente para dar conta do tamanho da tarefa, principalmente nas condições que a cercavam.

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  • As historinhas

    Quando cheguei à Vara de Família do Partenon, me perguntaram se eu manteria a sala de audiências como estava. Fui ver: uma mesa oval, em torno da qual sentavam no mesmo plano juiz, promotora, defensores e partes; quadro negro na parede; brinquedos; revistinhas. Claro que mantive. A mesa e o quadro eram iniciativa do Roberto Arriada…

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  • Matemática aplicada

    Quem tem filhos já ouviu a pergunta: “por que tenho que estudar isso, se nunca vou usar?” A pergunta faz sentido quando se estuda o aparelho digestivo dos moluscos, mas para qualquer um, até quem não gosta de matemática, é bom saber montar uma equação das mais simples, tipo a=b.c/d. Essas equações sempre nos serão…

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  • Quanto custa?

    O “quanto custa?” me acompanha desde sempre, certamente por força de uma infância em que tudo tinha de ser bem contado para as coisas não faltarem. São aquelas marcas que, como impressões digitais, não se apagam e ficam indelevelmente grudadas na pessoa.

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  • A audiência de custódia foi terceirizada

    Cena 1: Verônica Bolina é travesti. Domingo, dia 12, foi presa, após briga com uma vizinha. Algumas notícias mencionam tentativa de homicídio. Informam também que ela resistiu à prisão. Presa, foi posta na mesma cela em que estavam presos do sexo masculino. Novas informações dizem que ela causou perturbações e por isso um carcereiro decidiu…

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  • Galeano

    Incrível: As veias abertas da América Latina fui um dos primeiros livros que comprei, carreguei pra cima e pra baixo, encadernei, emprestei, busquei de volta, perdi, achei, voltei a perder, achei de novo, mas nunca li, exceto parágrafos soltos quando eu o tirava do suvaco. Por outro lado, nunca esqueci de Vagamundo, que li em…

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  • A necessidade da reforma política

    Há tempo pensava em escrever sobre reforma política, mas não achei o tom nem consegui imaginar um texto razoavelmente completo que não me exigisse mais que a hora e meia das minhas mensagens bissextas.

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  • Quantas emoções?

    Respondam-me os físicos: quantas emoções cabem no mesmo lugar do espaço? Após oito anos longe de uma jurisdição normal, porque alternei três anos de plantão, mais três só com cadernetas de poupança e dois na Ajuris, cheguei ao fim da gestão em vias de preencher o direito à aposentadoria e pensando, quase em tom de…

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  • A legiferância da barbárie

    Não sei se quem me ensinou foi a vida ou foram os livros, mas acho que aprendi: a civilização é um prédio que se constrói lentamente, como uma catedral medieval, que levava séculos para ser erguida, mas a barbárie pode vir num frêmito, como um terremoto que nada deixa em pé.

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  • A redução da maioridade penal de Eduardo

    A propósito da morte do menino Eduardo no Complexo do Alemão, é necessário registrar que a polícia do apartheid é uma realidade nacional: acontece no Rio, acontece em São Paulo, acontece na Bahia, onde em fevereiro, numa única operação, foram mortos doze jovens negros.

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  • Empresários: vítimas da corrupção?

    As empreiteiras tentaram, e a tese não é absurda: foram vítimas de achaques e, se não pagassem propina, não sairiam os contratos, elas teriam enormes prejuízos, talvez até mesmo quebrassem. Forçando um pouco a barra, haveria, em relação a suas condutas, uma inexigibilidade de conduta diversa.

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  • Eles apenas comemoraram um gol

    As tardes de domingo dos meus oito anos eu as passava grudado no rádio de válvula do meu pai. Joãozinho e Alcindo eram minhas alegrias, e muito vibrei com os tantos gols que faziam. Vibrei? Modo de dizer: eu permanecia impassível e era necessário que olhassem bem meu rosto para perceberem o sorriso.

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  • Triste aniversário

    Não sou dos que compartilham daquela visão negativista do Brasil e dos brasileiros, postura que encerra em si uma contradição, porque traz implícito o entendimento de que o problema é com os outros e cada um dos que assim julga é imune às mazelas denunciadas. Além disso, ignora o fato de que este é o…

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  • Um dia de juiz

    Tarde de audiências no Cível. 15 em 15 minutos de conciliações e justificações: há que aproveitar o tempo, que é curto para tantas ações. Fim de tarde: duas me acompanham para casa. Nem mais nem menos importantes, mas me acompanham.

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  • Duas perguntas sobre corrupção

    1) Sabemos bem que, pela Lei da Improbidade, empresas envolvidas em corrupção devem ser proibidas de contratar com o Poder Público. Sabemos também que as grandes empreiteiras representam parte significativa do PIB, tendo inclusive importantes contratos internacionais. Dão muitos empregos e são fonte de divisas. Representam parcela significativa do PIB. Além disso, sobrevivem em grande…

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  • Criticar, ma non troppo. Ou: por uma teoria que atenda à demanda social

    Digam-me que estou errado, que não entendo nada. Se isso acontecer, ficarei feliz por me preocupar em vão por algo já resolvido, embora um tanto vexado por ter falado publicamente besteira. Mas isso será o de menos, porque o que mais vejo na rede é gente encher a boca, posar de entendido e dizer bobagens…

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  • Meu dia de doutrinador

    Parece improvável, mas aconteceu: tive meu dia de doutrinador. Nunca se repetiu, nem se repetirá, por isso nem bissexto foi.

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  • Meu pai e Piketty

    Ele era uma pessoa justa. Religioso, conservador, austero, trabalhou muito por muitos anos. Profissão, alfaiate. Mas a profissão era insuficiente para sobreviver, e ele também vendia sapatos, de preferência com defeito, para ficar mais barato aos seus fregueses agricultores. Vender sapatos também era insuficiente, e às cinco horas ele fechava as portas para ir à…

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  • Audiência de custódia e violência policial

    Audiência de custódia e violência policial

    Em abril de 2008, o Comandante do Policiamento da Capital pediu que a Corregedoria Geral de Justiça tomasse providências contra mim, porque, na condição de juiz plantonista, sistematicamente deixava de homologar flagrantes. Na ocasião prestei as informações que seguem, e que agora torno públicas, em razão da discussão que envolve a realização da audiência de…

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  • As ruas da República

    O que têm a ver o princípio federativo, a separação entre os poderes e a reforma política com o espírito das ruas? Esses temas, discutidos no Seminário República, e ali identificados como pontos de impasse da democracia brasileira coincidem com as aspirações postas nas manifestações populares do mês de junho, que ainda reverberam na pauta…

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  • O poder de veto no Supremo

    A vista do Ministro Gilmar Mendes na ADI 4.650, que postula a declaração da inconstitucionalidade do financiamento de campanhas eleitorais por empresas, já dura quase um ano, muito mais que o prazo de duas sessões ordinárias previsto no artigo 134 do Regimento Interno do STF. Considerada a cultura do Supremo, um ano nem é tanto…

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  • Quantos presos queremos ter?

    Quando se trata de crimes e penas, é relativamente fácil conhecer o pensamento médio do brasileiro: 1) nosso sentimento de justiça nos leva a desejar sempre a prisão dos réus, como castigo por um mal que cometeram; 2) queremos que o cumprimento da pena ocorra muito longe de nós, de preferência em outra cidade, para…

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